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A DOR DO MINISTÉRIO PASTORAL

 

“Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl. 6.17).

1. Quero começar a minha palavra pastoral neste domingo, ao ensejo dos meus 35 anos na direção espiritual da Igreja Cristã Evangélica de São José dos Campos, fazendo das palavras de Paulo as minhas palavras:

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra. Por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.

Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos. Ora, como justa retribuição (falo-vos como a filhos), dilatai-vos também vós.” (2 Coríntios 6:4-13).

2. Vale a pena ser pastor?– Haverá alguma compensação no ministério pastoral? Há duas passagens bíblicas que nos dão uma boa orientação. São elas: Isaias 53.11 que diz: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles, levará sobre si.” Colossenses 1.24 – “ Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo que é a Igreja”. Paulo é notável em suas palavras: “Regozijo agora no que padeço por vós”. Sim, porque ninguém é pastor se não sofrer muito. E se não sofre, não é pastor, porque se não sofre, não ama, e se não ama, não tem o coração de pastor. Entretanto, apesar de todas as contrariedades, há uma satisfação muito grande em ser pastor.

3. A satisfação de se sentir pastor– Que importa a incompreensão do povo da igreja e tudo mais que vier? O pastor se sente satisfeito porque é pastor. Traz o povo no coração e satisfaz-se em saber que é do povo, embora nem sempre o povo o reconheça. Por isso não creio que um homem verdadeiramente vocacionado para o ministério pastoral, com a alma de pastor, troque a sua posição no rebanho de Cristo por qualquer outro cargo! Perante a excelência do pastorado, todos os demais cargos são pratos de lentilhas; pois o ministério pastoral, sem contestação alguma, é a primogenitura espiritual. O verdadeiro pastor só se sente satisfeito no ministério de pastoreio das almas. A maravilha é que Deus usa homens como eu e os demais colegas para executar trabalho tão sublime. A satisfação é de sentir-se útil nas mãos de Deus para o trabalho. Não há compensação igual. Outra vez digo como Paulo: “Sou grato para com Aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério”. (I Tm 1.12).

4. A satisfação de sentir-se necessário – Mais de uma vez, ao chegar na casa de alguém assistido de todos os recursos, o pastor é recebido com estas palavras: “Graças a Deus, o pastor chegou”. Há quem sofra por motivos efêmeros, embora aparentemente grandes porque são espetaculares. A esfera do pastorado é mais obscura, mas no cascalho dessa obscuridade em que os homens mal prestam atenção, existem gemas de valor inestimável. Em achá-las está uma das mais intensas alegrias da alma humana. Nem é preciso pensar naquela recompensa a que Pedro se referiu: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”. (I Pd 5.4). Basta pensar nas compensações do ministério pastoral para verificar que vale a pena ser pastor. Termino esta reflexão sobre a dor do ministério pastoral com estas palavras de Paulo: “... meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.” (Gálatas 4.19)

Pr. João Arantes Costa é presidente da Igreja Cristã Evangélica Central de São José dos Campos-SP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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